sexta-feira, 22 de novembro de 2019

XV

inda que a minha mão a tua não toca
meus olhos contra os teus unem-se em prol
mesmo que o afago contido não trocas
sentidos puros se alternam num rol

reténs-te segura ao mar numa doca
embora me foras casto farol
castras o amor que num cais vasto estoca
num dia qualquer tu lhe inflamas o paiol

versos que prezas de um velho os já li
lembram de um tempo se queres que opine
de sangue e chagas que ao bem não define

se queres razões não busque-as ali
libertes tu'alma e não mais a confines
fazendo que o amor assim descortine

22/11/2019

XIV

soubeste da nova melodia feita?
arrancara gorjeios da passarada
que se punha à janela n'alvorada
da alcova de onde longe a noite deita

meu leito este longo vazio rejeita
nem deixa que as penas jazam paradas
levo-as à tinta e percorro as beiradas
da nota com versos que a ausência aceitam

quando partiste pensavas que tinhas
levado contigo o ardor dos caminhos
e o aroma das rosas, deixado o espinho?

lembravas que ouvi o segredo das vinhas
e é no que medito ao levar-me ao pinho
do corpo de Sol bebido no vinho?

22/11/2019