sábado, 27 de setembro de 2025

XL

meu peito rompe, troveja, confessa

coisas de meu imo ser, coisas diversas, 

coisas de me ajustar, coisas transgressas

daquilo que pude arder, febres terças


meu peito conclui vinganças comêças

de arredios pagãos, romanos, persas

e teu coração mantém trilha aversa

sempre há de trilhar fendas avêssas


eis o teu vasto salão: peito meu

com outro castigues o meu visar

com vítreo pisar, marmóreo tinir


quem sabe em um dia, em um razoar teu

te lembres do piso que sois pisar

que nunca jamais pensou te ferir


27/09/2025

XXXIX

cruores vagos de mestos esponsais

mirai os prodígios, vede os vaticínios...

são resto e sobras de incômios carnais

são cinza e vestígio, e vãos patrocínios 


delírios vazios de falsos casais

de ar e vento, quem irá ter domínio?

de águas e fogos e terras banais

quanto ao que apraz vencerão os fascínios


febris terrores, tão acres suspeitas

vasta colheita desfeita em meus ais

em que os palôres serão filhos meus


largues minha mão, se os laços rejeitas

pois todos fitam teus gestos mortais

de negra esperança e vis himeneus


27/09/2025