domingo, 12 de outubro de 2025

XLIII

desparece em o paraíba ao vau

para nas zagaias ser retida aos véus

os peixeiros querem-na em animal

pois seu desdoiro mal incende o céu


a fronde escapa lhe estimam em mal

e o falto rosto pródigo labéu

hão de encontrá-lo em propício jornal

e ter nas redes tão vasto troféu


rútilo rosto coube ao corpo em regra

e alma figura fez-se então carina

que em fragosa água fora concebida


suas níveas peles se lustravam negras

será do Altíssimo leal concubina

eis que não na acharam: foi Aparecida


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12/10/2025

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

XLII

eis que surgiste em um dia malfazejo

como se trouxesses sinais, prodígios

fui teu refém, e refém de desejos

que tornam minh'alma antro de vestígios


de meigas visões meu peito foi pejo

e ornou-se com valerosos fastígios

castelos, ruínas, pedaços eu vejo

do que me encaminhas ao rio estígio


nunca talvez haverei de te ter

em braços, leitos, em devastação

inda que prometas leal companhia


prefiro no peito teu amor conter

de olhos fechados em consumação

daquilo que nunca hão de ver os dias


06/10/2025

XLI

há de a vida um dia perdoar inocência

daquele que vaga e erra em grã puerícia?

ousou amar e crer em tola vivência

o que espedaça em grãos toda primícia


é tolo o fautor de erros e cadência

por crer em amores, tal sua estultícia

da vida há de sofrer as inclemências

quando arrostar dos medos a perícia


eis que a vida me forja malfeitor

não lhe apraz inocência ou má ovação

serei das ofensas fiel causador


há nos meus pecados torpe fator

de crer em promessa e qual sugestão

de rosto e palavra em bem destruidor 


06/10/2025

sábado, 27 de setembro de 2025

XL

meu peito rompe, troveja, confessa

coisas de meu imo ser, coisas diversas, 

coisas de me ajustar, coisas transgressas

daquilo que pude arder, febres terças


meu peito conclui vinganças comêças

de arredios pagãos, romanos, persas

e teu coração mantém trilha aversa

sempre há de trilhar fendas avêssas


eis o teu vasto salão: peito meu

com outro castigues o meu visar

com vítreo pisar, marmóreo tinir


quem sabe em um dia, em um razoar teu

te lembres do piso que sois pisar

que nunca jamais pensou te ferir


27/09/2025

XXXIX

cruores vagos de mestos esponsais

mirai os prodígios, vede os vaticínios...

são resto e sobras de incômios carnais

são cinza e vestígio, e vãos patrocínios 


delírios vazios de falsos casais

de ar e vento, quem irá ter domínio?

de águas e fogos e terras banais

quanto ao que apraz vencerão os fascínios


febris terrores, tão acres suspeitas

vasta colheita desfeita em meus ais

em que os palôres serão filhos meus


largues minha mão, se os laços rejeitas

pois todos fitam teus gestos mortais

de negra esperança e vis himeneus


27/09/2025