domingo, 15 de fevereiro de 2026

XLIV

Quer se servir de mim o mal, as trevas

Eis o que sou dele, em seus tolos juízos,

Instrumento de mãos, de pernas sevas

Quer ser a mortandade a que eu mais viso


Sendo somente um de suas tantas levas,

Sem rosto, sem figurar muito preciso,

Desfeito de mim, e estradas longevas

Oculta da vista, vias do paraíso


Quer meu sangue libar em seu descuido

E ter de mim préstimos de agouros

Ofensor primevo da redenção


Urbanamente anseia os santos fluidos

Quer em verdade mercar-me qual touro

Sem saber da minha leal devoção


15/02/2026