quarta-feira, 13 de outubro de 2021

XXVIII

tenho p'ra ti um segredo, uma forria

se erras mofina em afã decadente

volve no termo em que a paz te corria

e o mal que te enferma não era corrente


não é meu afeto, que míngua e varia,

nem vão esperar, inda que renitente,

menciono o ungüento da leve alegria

que infátuo permeia passando-te rente


se em ti subjaz não tome-o por tácito

pois muitos buscam, mas frustram o achar

ele se esvai da pretensa porfia


te prostres humilde ante o beneplácito

que oculta-se sob dos olhos fechar

em verdade o digo: é o lar de sofia


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13/10/2021 

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