sábado, 27 de abril de 2024

XXXVI

Vou-me do mundo dos meus olhos farto

Pois tudo quanto com meus olhos vejo

Agravos mostram, não do meu desejo,

Pois o contenho no antro de meu quarto


Aqui folguedos, lá frescores partos

Montoados de desordens vão sem pejo

Anunciações de tempos malfazejos

Espraiam-se por onde a mim me descarto


Os Elísios os tenho em meu recesso

Ora templo, então escola, teatro e arte

Mel, vinho e azeite e leite se aparelham


Tartáreo o mundo que lá fora esqueço

Geme e grita lembrando minha parte

Mais à morte esta vida se assemelha


27/04/2024

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